Margarina é uma daquelas pessoas que conhece toda a vizinhança. Faz cinco décadas que mora na mesma casa. E há 30 anos é conselheira na sua região.
No ano retrasado o Sr. Requeijão, sem querer, atropelou o cachorro de estimação da Dona Sardinha. Sua filha, Gelatina, nunca mais olhou para ele. Esqueci de mencionar que foi o Senhor Requeijão que levou a D. Sardinha ao hospital para ter a sua filha, há 10 anos, pois seu marido, enfim, ninguém sabe dele a não ser D. Margarina.
Após este evento o seu Requeijão pediu perdão à Senhora. Esta perdoou, mas com aquele perdão mal perdoado. Acho que só falou perdão da boca para fora.
A rua toda assiste a relação entre os dois vizinhos e, principalmente, D. Margarina.
Mês passado o Sr. Requeijão novamente pediu desculpas à D. Sardinha e sua filha. Pois ele percebia que as duas tinham mudado completamente suas atitudes desde o acontecimento. Inclusive propôs a comprar um novo animal de estimação. Mas ela, nem deu bola. Apenas tem dito que era para ele ficar na dele.
D. Margarina estes dias leu uma frase de Shakespeare: "Guardar ressentimentos é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra". No ato lembrou-se dos dois vizinhos. Não sei por quê? Será que a vizinha deixou de ser amiga dele só por causa de um acidente? E os anos de amizade entre os dois, não conta? E se ela que tivesse atropelado o gato de estimação do Sal, filho do Sr. Requeijão? Aí seria outra história, confirma D. Margarina...
Sabe o santo da São Francisco? O que confundem com São Francisco, que está lá no fundo do altar, aos pés de Cristo. Ou com o oposto, São Pedro de Alcântara, com a cruz nas mãos, veias expostas, lá na matriz da 14 de julho. Pois, é Santo Antônio, como me encanta. Já viste como nos fita? Olhos retos, que conversam, de quem teve uma vida de experiência com o próprio Cristo. De quem falou e viveu com a multidão, entre sermões aos peixes, louvor à natureza e à criação. Pois, um homem atual, com valores, renúncias e missão. Foste às terças-feiras para a sua bênção? De joelhos no chão ou, ainda, como aquele grisalho da primeira fileira, o de chapéu na mão, respondendo de súbito: Amém! Já do sétimo banco direito, na ponta, em frente ao santo, sento e recomendo. Encaro teus olhos contente em ter nosso papo em dia. E no final, uma bênção com a relíquia e o pão bento doado da partilha. Pois, um homem da história com o Rei em suas mãos. Quem foi que modelou tamanha arte? Sim, falo...
[...] E nos dias derradeiros em que a Irmã Morte se espreita à Jerusalém Celeste se enseja O véu da Fé se rompe A ausência, violência se personifica Bençãos, preces e orações a chama vagarosamente se apaga e a tradição de uma vida inteira se cala (ou é calada) O Dízimo cai em outras mãos Não se comunga em comunidade O silêncio do sacrário se esvai em outras confissões. E, por trás, traças sabotadoras chegam Com carnês de moradas do céu besuntados de alcatrão. Imagem de pvproductions no Freepik Conheço casos de idosos que foram obrigados a deixarem suas tradições religiosas e celebrativas ao final da vida para confessar a fé em outros espaços de interesse comum. O problema é que esse interesse "comum" tem sido conveniência de terceiros. Que violência! Um deles parecia-me que o cartão de crédito e a aposentadoria foram mais importantes que a própria fé convertida. Para o Céu, para o Céu, será que triunfará? Poucas visitas às celebrações e muitas visitas para recolher as ...
Há um mistério e uma sede nas pequenas criaturas que circundam o Altar. A natureza que vibra e se rejubila silenciosa, a não ser pelas cigarras e o farfalhar das folhas do outono e os ventos de agosto, pelos restos da Santa Mesa. E, nesse meio, as plantas e flores que estão próximas da sacristia. É para vocês a quem dedico estas palavras. Palavras de retorno a este tratado, palavras entaladas, palavras que surgiram após anos de angústia e resistência à escrita para mim. Palavras de luta! Vocês que aguardam ansiosamente pelo restinho da água purificada derramada pelo ministro após a limpeza dos vasos sagrados, a minha alegria de ter em vocês um Encontro! Vocês que não são tão "bonitinhas" para estarem na celebração ou no altar do sacrifício, que formalmente não participam das núpcias do Cordeiro. Não seria uma honra ser aspergidas constantemente com as Santas Migalhas do Corpo do Ressuscitado? Aquelas benditas que ficaram nas pontinhas dos dedos e tocaram a água d...
cara, que texto de doido ! aeueahuaehu
ResponderExcluirmas está legal xD