Sobre vovó Georgina I
O nascimento da Família Ventura Descobrimos que a vovó Georgina não foi uma boa mãe. Foi brava! Não foi suficiente quando precisou. Ah, vó! Como julgá-la com olhar de netos? Como assumir óculos de outra geração? Como vestir seus calçados na época em que mulher tinha voz não. Votchi ! A senhora era dura, mandona, por vezes, trapaceira; mulher suficiente, muito presente, em todos os espaços; abraçava, batia, abençoava e expulsava… e que errou. Oh, vó! Vó boa, mãe ruim. Sempre soubemos que não gostava muito de sua raiz e sotaque mato-grossense, tinha vergonha, por vezes, será? Filha da parte pobre da família, que era entregue para trabalhar para a parte rica. Que fado. Penso hoje numa montagem cega das pecinhas de um quebra-vida, que as dores que lhe foram entregues laceravam rugas na sua alma e a fizeram pujantemente seguir em frente, ou melhor, para o sul do Estado, com a renca dos mais novos da família. Campo Grande, a terra morena das oportunidades de vida e dignidade que se fize...