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Mostrando postagens de abril, 2021

Só um pé 41

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Tenho uma amiga de pés envergonhados,  pés compridos, finos, tamanho 41.  Pés que a põe de pé. Pés que a faz pôr em marcha. Pés que estão na labuta. Pés que pulsam inquietos Mas pés envergonhados... Por que te envergonhas desses teus pés, cara amiga? Por que olhas tanto para o chão? Hás de ter pés tão diferentes de outrem? E se assim os fossem? Não terias o direito de os tê-los? As piadinhas de que mulher com pé grande não encontra sapato bom  são semelhantes às dores que se dilaceram nas brincadeiras de "que sapatão"? Fique tranquila, cara amiga, Tire seus olhos dos pés, do chão. Levante este rosto lindo E permita-se uma reavaliação Se os teus te sustentam, eis aí a boa função? Quantos hoje esquecem  têm pés firmes,  mas cambaleiam na missão  Bora vida pra frente Não se apegue às palavras prisões torne-se Frida presente vista sapatos lindos, impulse desse chão aprume suas asas, desfrute a visão. E falando em asas, como estão as tuas? Bora caminhar!

Às flores da sacristia

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Há um mistério e uma sede nas pequenas criaturas que circundam o Altar.  A natureza que vibra e se rejubila silenciosa, a não ser pelas cigarras e o farfalhar das folhas do outono e os ventos de agosto, pelos restos da Santa Mesa. E, nesse meio, as plantas e flores que estão próximas da sacristia.  É para vocês a quem dedico estas palavras. Palavras de retorno a este tratado, palavras entaladas, palavras que surgiram após anos de angústia e resistência à escrita para mim.  Palavras de luta! Vocês que aguardam ansiosamente pelo restinho da água purificada derramada pelo ministro após a limpeza dos vasos sagrados, a minha alegria de ter em vocês um Encontro! Vocês que não são tão "bonitinhas" para estarem na celebração ou no altar do sacrifício, que formalmente não participam das núpcias do Cordeiro. Não seria uma honra ser aspergidas constantemente com as Santas Migalhas do Corpo do Ressuscitado?  Aquelas benditas que ficaram nas pontinhas dos dedos e tocaram a água d...