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Sabe o santo da São Francisco?

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Sabe o santo da São Francisco? O que confundem com São Francisco, que está lá no fundo do altar, aos pés de Cristo. Ou com o oposto, São Pedro de Alcântara, com a cruz nas mãos, veias expostas, lá na matriz da 14 de julho. Pois, é Santo Antônio, como me encanta.  Já viste como nos fita? Olhos retos, que conversam, de quem teve uma vida de experiência com o próprio Cristo. De quem falou e viveu com a multidão, entre sermões aos peixes, louvor à natureza e à criação. Pois, um homem atual, com valores, renúncias e missão.  Foste às terças-feiras para a sua bênção? De joelhos no chão ou, ainda, como aquele grisalho da primeira fileira, o de chapéu na mão, respondendo de súbito: Amém! Já do sétimo banco direito, na ponta, em frente ao santo, sento e recomendo. Encaro teus olhos contente em ter nosso papo em dia. E no final, uma bênção com a relíquia e o pão bento doado da partilha. Pois, um homem da história com o Rei em suas mãos.  Quem foi que modelou tamanha arte? Sim, falo...

Conto de ex-amblíope

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Hoje acordei apressado!  Na pressa e procura:  cadê eles? Meus óculos?  Ufa!  Estão bem,  guardados. #meuEXolharsexydemiope

Sobre a violência religiosa com idosos

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[...] E nos dias derradeiros  em que a Irmã Morte se espreita  à Jerusalém Celeste se enseja O véu da Fé se rompe A ausência, violência se personifica Bençãos, preces e orações a chama vagarosamente se apaga e a tradição de uma vida inteira se cala (ou é calada) O Dízimo cai em outras mãos Não se comunga em comunidade O silêncio do sacrário se esvai em outras confissões. E, por trás, traças sabotadoras chegam Com carnês de moradas do céu besuntados de alcatrão. Imagem de pvproductions no Freepik Conheço casos de idosos que foram obrigados a deixarem suas tradições religiosas e celebrativas ao final da vida para confessar a fé em outros espaços de interesse comum. O problema é que esse interesse "comum" tem sido conveniência de terceiros. Que violência!  Um deles parecia-me que o cartão de crédito e a aposentadoria foram mais importantes que a própria fé convertida. Para o Céu, para o Céu, será que triunfará? Poucas visitas às celebrações e muitas visitas para recolher as ...

Procura-se um quadro no Horto

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Procura-se um quadro no Horto! Procura-se um quadro no Horto!  Retrata uma bela musa sentada com olhos fitos e serenos. Hipnotizantes!  Ajude-me, meu caro, minha cara!  Estava lá, na porta da biblioteca do Horto Florestal,  perto da entrada que desemboca na 26 de agosto. Quase em frente da antiga porta do SENAC. E eu juro que por dias, me cumprimentou.  Claro que me cumprimentou! Fiquei extasiado, embriagado ao conhecê-la!  Ou era delírio pós-almoço?  Não, não! Não poderia ser.  Aqueles olhos me encontraram e hoje sinto sede de vê-los. Onde estão guardados, será que ainda está sentada aos pés da escada? Ou na minha "coleção"? Procura-se um quadro no horto! Procura-se aquele quadro no Horto! Imagem de master1305 no Freepik Em 2007, início do ano, estava me acostumando com a rotina de jovem aprendiz - dias de trabalho no Portal Educação e tardes de formação em aprendizagem comercial no SENAC, ali na 26 de agosto. Quando a empresa já tinha saído da R...

Sobre solitários de casa cheia

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Sobre os solitários de casa cheia tenho palavras. Nesta caminhada tenho encontrado líquidos afetos que se estampam em posts cheios de efeitos e músicas estrangeiras; selfies que buscam comentários, curtidas, os que se decoram de pinks e cordeiros. Por trás de risos amarelados e lentes de contato, apresentam corpos esculpidos por tratamentos não recomendados. Suas angústias transparecem em chás, aromas, fumos e tarjas pretas; doses diárias de álcool, agressividade sofisticada, olhos semicerrados, sem atenção concentrada, ou melhor, focados em apps - avaliar a vida alheia. Casa de ossos ressequidos que se trombam em horários incomuns, sem cortesias; segregados, gélidos de rituais individualizados. Lugar de cafés gelados deixados na pia, copos quebrados ao lado de pães amanhecidos na mesa e mofo de arroz carreteiro esquecido na geladeira - motivo de farpas por um ano inteiro; atrasados, de feios olhares, acabam que atravessam as rotinas passageiras. As festas e celebrações duram poucas h...

Sobre vovó Georgina I

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O nascimento da Família Ventura  Descobrimos que a vovó Georgina não foi uma boa mãe. Foi brava! Não foi suficiente quando precisou. Ah, vó! Como julgá-la com olhar de netos? Como assumir óculos de outra geração? Como vestir seus calçados na época em que mulher tinha voz não. Votchi ! A senhora era dura, mandona, por vezes, trapaceira; mulher suficiente, muito presente, em todos os espaços; abraçava, batia, abençoava e expulsava… e que errou. Oh, vó! Vó boa, mãe ruim. Sempre soubemos que não gostava muito de sua raiz e sotaque mato-grossense, tinha vergonha, por vezes, será? Filha da parte pobre da família, que era entregue para trabalhar para a parte rica. Que fado. Penso hoje numa montagem cega das pecinhas de um quebra-vida, que as dores que lhe foram entregues laceravam rugas na sua alma e a fizeram pujantemente seguir em frente, ou melhor, para o sul do Estado, com a renca dos mais novos da família. Campo Grande, a terra morena das oportunidades de vida e dignidade que se fize...

Sobre olhares brilhantes

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O brilho nos olhos é o meu salário . Aprendi desde pequeno, quando dava um presente, escrevia uma cartinha, fazia uma gentileza. Olhos brilhantes, vibrantes. Olhos que se conectam à minha frequência.   Shining eyes é o verdadeiro encontro. Encontro com letras garrafais, que se eterniza na alegria e nos sofrimentos. Encontro que alimenta e impulsiona a viver.   TedX  do Benjamin Zander, palestras do Cortella, aulas sobre Levinas que o digam. O Olhar é um convite para a alteridade, é um encontrar-se sem fim. Ser pixotinho com os pixotinhos. Perder a vergonha com as pessoas bem-queridas. Proporcionar momentos de alegrias. Vestir a roupa que se quer vestir. Rezar com alguém. Estar disponível. Empatizar-se com as novidades da vida. Escutar sem pretensão. Surpreender a si e quem for. Reconhecer o cansaço. Conversar com desconhecidos. Ser anônimo, por vezes. Sair escondido. Dar presentes inesperados. Falar "Ei, eu me importo com você" naturalmente. Esperançar com o m...