Sabe o santo da São Francisco?
Sabe o santo da São Francisco? O que confundem com São Francisco, que está lá no fundo do altar, aos pés de Cristo. Ou com o oposto, São Pedro de Alcântara, com a cruz nas mãos, veias expostas, lá na matriz da 14 de julho. Pois, é Santo Antônio, como me encanta.
Já viste como nos fita? Olhos retos, que conversam, de quem teve uma vida de experiência com o próprio Cristo. De quem falou e viveu com a multidão, entre sermões aos peixes, louvor à natureza e à criação. Pois, um homem atual, com valores, renúncias e missão.
Foste às terças-feiras para a sua bênção? De joelhos no chão ou, ainda, como aquele grisalho da primeira fileira, o de chapéu na mão, respondendo de súbito: Amém! Já do sétimo banco direito, na ponta, em frente ao santo, sento e recomendo. Encaro teus olhos contente em ter nosso papo em dia. E no final, uma bênção com a relíquia e o pão bento doado da partilha. Pois, um homem da história com o Rei em suas mãos.
Quem foi que modelou tamanha arte? Sim, falo da grandiosa imagem, presente naquele nicho, com lírios e orquídeas e luzes douradas de destaque. Traz no cordão, os votos, os rins cingidos e noto: certo que o artista perscrutou a sabedoria Divina por ti pregada, martelada, gorjeada. Pois, ser um dos menores de Assis te fez de Campo Grande e de tantos cantos, padroeiro, para alguns até casamenteiro, mas para mim, padrinho e irmão.
É verdade que ninaste o Cristo? Assim contam os frades, de Pádua ou Lisboa, aqui não faz distinção. Quem dera eu, qual tamanha devoção, recebesse em meu colo a própria Salvação. Pois, nos dias exauridos, convido: senta-te comigo agora na segunda fileira, mais perto, pois verás que o santo não mais nos fita, mas o próprio Cristo, pequenino, desejando repousar em nossas mãos.
Campo Grande/MS

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