Às flores da sacristia

Há um mistério e uma sede nas pequenas criaturas que circundam o Altar. 

A natureza que vibra e se rejubila silenciosa, a não ser pelas cigarras e o farfalhar das folhas do outono e os ventos de agosto, pelos restos da Santa Mesa. E, nesse meio, as plantas e flores que estão próximas da sacristia. 

É para vocês a quem dedico estas palavras.

Palavras de retorno a este tratado, palavras entaladas, palavras que surgiram após anos de angústia e resistência à escrita para mim. 

Palavras de luta!

Vocês que aguardam ansiosamente pelo restinho da água purificada derramada pelo ministro após a limpeza dos vasos sagrados, a minha alegria de ter em vocês um Encontro!

Vocês que não são tão "bonitinhas" para estarem na celebração ou no altar do sacrifício, que formalmente não participam das núpcias do Cordeiro.

Não seria uma honra ser aspergidas constantemente com as Santas Migalhas do Corpo do Ressuscitado? 

Aquelas benditas que ficaram nas pontinhas dos dedos e tocaram a água da bacia do lavabo.

Sim, vocês são saciadas desse mistério de fé! Assim como quantos de nós que somos iluminados e salgados por tantos em nossa jornada que carregam o Kerigma.

A criação, queridas, atravessou/a vocês e toca a minha história.

Bendita sois, criaturas marginais do Senhor, pela sede e presença, silenciosa ou vibrante, pois em ti refletem as migalhas do Corpo Glorioso e os ecos do Ressuscitado. 

Feliz Páscoa!



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