Sobre olhares brilhantes

O brilho nos olhos é o meu salário. Aprendi desde pequeno, quando dava um presente, escrevia uma cartinha, fazia uma gentileza. Olhos brilhantes, vibrantes. Olhos que se conectam à minha frequência.  

Shining eyes é o verdadeiro encontro. Encontro com letras garrafais, que se eterniza na alegria e nos sofrimentos. Encontro que alimenta e impulsiona a viver.  TedX do Benjamin Zander, palestras do Cortella, aulas sobre Levinas que o digam. O Olhar é um convite para a alteridade, é um encontrar-se sem fim.

Ser pixotinho com os pixotinhos. Perder a vergonha com as pessoas bem-queridas. Proporcionar momentos de alegrias. Vestir a roupa que se quer vestir. Rezar com alguém. Estar disponível. Empatizar-se com as novidades da vida. Escutar sem pretensão. Surpreender a si e quem for. Reconhecer o cansaço. Conversar com desconhecidos. Ser anônimo, por vezes. Sair escondido. Dar presentes inesperados. Falar "Ei, eu me importo com você" naturalmente. Esperançar com o maior número de pessoas. Tornar-se o que se é. Divertir-se. Estar presente, principalmente, para si. Respeitar o ritmo de cada um. Situações honrosas essas que produzem aquele majestoso brilho de que vale a pena cada dia.

Tenho esses momentos registrados em olhares, olhos guardados da minha história num filme de trocentas poses. Olhares de todo tipo de pessoas, anônimas, conhecidas, das de casa, das da alma; olhares orgulhosos, destemidos, audaciosos, sofridos, apaixonados, olhares brilhosos, cheios de vida. Desde aquela senhora sentada no ponto de ônibus ao lado do SESC Horto, na 26 de Agosto, quando era adolescente, o da minha primeira catequista no leito do Hospital Regional, ao me contar que tinha estado com Jesus, dos meus pais no dia da minha formatura, de um grupo de amigos voluntários da JMJ na praia de Copacabana, de uma estudante que aprendeu algo novo, de alguém que venceu um desafio na vida, por aí vai. Olhares fitados de memória. Flashes que me levam ao êxtase. Minha paga.

Aqueles que me enebriam, resgatam, um vício sem fim. Alguns que corro atrás. Quero ver de novo! Quase que um sentimento de apaixonado. O sr alegre do caixa da padaria, a estudante pequenina me chamando de "Pincher", ao invés de teacher, o amigo que não mede cerimônias para lascar um abraço, a Eucaristia. Momentos únicos! Onde o tempo para.

Há olhares que me acariciam com sua ternura, são atentos, chamam-me a atenção. Esta escrita é porque encontrei um desses nesta semana. Um olhar de quem me quer por perto, e me quer bem. É bonito e caloroso de se ver e sentir.

Sempre tentei produzir olhares brilhantes nas aulas, catequeses, na vida, mas sempre nos outros, no entanto, a verdade é que os olhos que brilham são estes, os que Deus me deu.

Imagem de Pexels por Pixabay 


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