Sobre Montéquios e Capuletos
Matrimônios fragilizados
Casamentos de famílias intrigadas
Casamentos à Montéquios e Capuletos
Entrelaces desenlaçados
Brilhantes nubentes ofuscados
Apagando chamas
Socorrendo intrigas
Estancando feridas que
em festas cercadas a ópio
Ricocheteiam nos Ah! e Oh!
Você viu? Infamidades...
Resultam
ritos gelados do tom assistente eclesial
Abençoados noivos pelas belas escritas palavras,
promessas e bênçãos celestiais
cumprem-se apenas o papel social, enfim um só.
Um só!
Um só corpo,
uma nova família,
uma nova possibilidade.
Despedem Montéquios e Capuletos
após a festa nupcial
Com brechas, fofocas e lembranças de dedos em riste
A esperança de que a união não precisaria ser válida
e que as cicatrizes familiares
antes suturadas pelas bênçãos da nova santa união no altar.
Tristes famílias se rebelam
e os neonubentes mal esperam
para a calmaria daquele pedido
ainda de namoro retornar
Mal esperam que unidos pelas trincheiras,
Montequios e Capuletos permanecem à espreita
Para o herdeiro um partido tomar:
Montequio ou Capuleto?
Virão novas festas de máscaras,
novas missas, exéquias, brigas nas praças,
Certo que até um batizado na capela,
ao som dos tios e padrinhos pimpões.
Contudo, não há que se esquecer,
que podem 100, 500 anos passarem
sem que filhos de Montequios e Capuletos
recobrem seus lugares,
ainda hão de permanecer.

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