Fugindo do Solipsismo

Chega um momento na vida em que o umbigo inflama,
não dá conta de sustentar castelos construídos na infância,
teorias, contos, fábulas, tradições que passam a ser peneiradas
e tornam-se novas orações.

Sacudidas, as botas empoeiradas e calejadas, vividas,
mancham estradas antes inexploradas.
Dão novos passos, convocam ouvidos interrompidos,
e retiram os olhos fixantes ao ermo,
costumados em vislumbrar migalhas solitárias,
para novos tons, cores, sons,
novas concepções.

Chega um momento na vida em que luzes são acesas,
verdades imprecisas se apresentam claras às mesas,
convites, propostas, encontros, contradições.

O OUTRO atravessa e ofusca o fluxo fundo e figura de um anti-herói
que se infligia a dormir num panteão.
Histórias, estórias, manias, traumas, contos da família
entram, sentam na borda das vivências sem pedir permissão.
Ofuscam o imaginário, fazem as pazes, dão um forte abraço,
quebram o protagonista bobão.

Desnudam a realidade e ofertam novos ares, elos, halos,
em próprias e reais existências 
que não materializam em qualquer gente apenas,
nem em sensações, impressões, ilusões.

Fonte: Freepik


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