À Regilaine, com saudades...
À Regilaine, com saudades...
"Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.) Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender sua causa, quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo?" Isaías 53, 7-8Somos Cristos nesta terra de peregrinos. Isso bem sei, quando você partiu.
Pois carregava em ti, a Luz do alto, o sorriso das estrelas.
Resisti, confesso, a escrever-te. E seis meses se passaram.
E essa parte ainda está sendo escrita.
Quanta história, quantas festas, quantas danças,
quantos amigos, quantos bons momentos.
Quantas confissões, quantas tristezas,
quantas humilhações.
Rimos, sofremos, resistimos,
mais que primos, filhos da mesma madrinha.
Filhos de Deus,
os joelhos dobrados da fé na família.
Seus sentimentos incomodavam alguns, bem sei.
Sua pele, seu cabelo, muitas vezes negados, negligenciados, também sei.
Mas em ti, no brilho do olhar, a lágrima pura que sempre surgia,
por vezes das cruzes do dia a dia, e poucos entendiam.
Confesso que muitas vezes também não te compreendi.
Mas aqui estou, pois fui teu orgulho.
Fui o bebê que você carregou e comeu papinha,
que levou para um acampamento da Igreja quando precisava.
Você me ensinou a dar valor para um pai,
E para o Pai. Emprestei-te o meu, né?
Sou o primo que você estampava para todos
Você tem parte nesse Daniel que sou.
Sambinhas e nas rodas de salsa, quanta felicidade,
fomos os passistas da família, não?
E quantas festas na ADUFMS,
Quantas festas por aí! Quanto vermelho nisso tudo!
Meu primeiro porre (eita!). Meu primeiro emprego,
meus/seus aniversários, as caronas no Red,
as caronas de bicicleta, quando o Portal ainda era na Rua Áustria!
Dávamos jeito, até em rua torta!
Mas sua história por aqui teve um ponto final.
E que história, quantos desafios, quantos desrespeitos.
E até seu ponto final foi negligenciado, dolorido.
Arrancado após uma noite de chuva e uma casa arrombada.
Contudo, agradeço.
Sim, agradeço a Deus por sua vida,
pois, repito: um pedaço aqui, na minha vida, tem seu nome.
E sua vida, sei, não foi fácil, mas havia sempre um novo dia.
Porque você foi guerreira, em tudo.
E sabe... "vou te contar,
os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender"
Pois os "que confiam no Senhor revigoram suas forças, suas forças se renovam".
Você pôde até cair ou vacilar, eu também.
Sobretudo nesses últimos anos,
mas recebeu d'Ele asas
e subiu sem se cansar, como águia, nas asas do Senhor.
Desculpe-me, Regi,
pelas ausências,
pelas incoerências.
Sei que hoje tudo faz sentido:
Maltratada, resignou-se;
não abriu a boca, como uma cordeirinha levada ao matadouro,
uma ovelha muda nas mãos do tosquiador (não abriu a boca).
Por julgamentos foi arrebatada. Quem pensou em defender sua causa?
CRISTO, NOSSA ESPERANÇA!
A quem confiamos a nossa vida,
quem nos mostrou a morte como irmã,
quem nos abriu o Céu!
Somos Cristos nesta terra de peregrinos.
Intercede por mim, por nós, prima querida,
e até a minha Páscoa, onde nos veremos novamente,
pois ainda guardo a sua última palavra pra mim:
AMÉM!
Saudades...

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