À Dona Júlia

Cresci com Dona Júlia aos domingos e às quintas. Uma mulher sem cerimônias! Negra, baixa, de família, humilde e de poucos estudos.Uma singela beata. Sim, bem-aventurada a vida dessa mulher que chega sem pressa às eucaristias e bem baixinho pergunta: "Boa noite! Já pode acender?".
Já sim, Dona Júlia. Já pode acender a luz da nossa celebração. Deus permite que a senhora dê a luz, o próprio Cristo Jesus, que se faz presente a nós, sem pestanejar.
Pergunto-me sobre a missão de cada um nessa terra e o valor de cada uma e me recordo dessa e de tantas senhoras rezadeiras.
Dona Júlia reza por nossa comunidade, aparece em vários terços, nas via-sacras e por aí vai...
Mas aos atentos, já sabemos...
As velas estão acesas, Dona Júlia está presente. É só olhar para a fileira direita da igreja, no cantinho, lá na frente. Lá está ela.
Nunca a vi brigando com alguém, nunca a vi aumentando a voz ou corrigindo alguém, sempre a vi serena. Sempre a vi.
E quando tinha dúvidas de qual vela acender no Tempo do Advento, logo vinha perguntar. Sempre na delicadeza, na humildade.
Quarenta e tantos anos de comunidade, quatro décadas de servir aos outros. Obrigado, Dona Júlia, pois no silêncio e na sua humildade aprendi. Aprendi também que não se precisa barulho para servir o altar dos Altares. É preciso sermos também Dona Júlia neste mundo.
Prazer em conhecê-la!
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